saudades...

saudades da brisa matinal,

da caminhada descompassada

na companhia da mulherada.

saudades da enchente da marginal,

areia na face, sol no corpo e sorriso roto.

saudades da liberdade e alegria,

destapadas e desregradas

na avenida e em casa.

tenho saudades também

da rua e das buzinas,

dos mercados e da indisciplina,

das amiguinhas em cada esquina.

ha!

saudades da paz no meio da confusão

do mundo lá fora donde tudo brota

e alegra o meu coração.


são tantas as saudades

que só agora me apercebo

que era folha verde,

livre, leve e solta

alheia aos perigos à minha volta.

diga-me então,

óh senhor, nosso salvador

quando voltarei a sentir o frescor

na pele e na minh’alma

que há tempos não se acalma...




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©2020 by Larissa Daniel