Saber de Como Viver

minha querida,


sento-me na secretária do meu quarto nesta madrugada de inverno para a ti dedicar algumas palavras. não sei se são palavras de sabedoria ou de melancolia, mas sei que neste momento tenho-te a ti nas minhas orações e que estão conectados os nossos corações.


hoje venho dizer-te que, tal como tu, às vezes me vejo perdida, desentendida comigo mesma, com esta vida. é triste, não? sentir-mo-nos tão impotentes que nenhuma solução nos vem a mente. pois, é triste. mas é ainda mais triste bater no fundo e nos habituarmos a escuridão, ouvir o som do vazio e tomá-lo como mais uma canção. é dura e simplesmente triste.


não costumo me questionar sobre quais são os planos d’ele para mim, mas muitas vezes anseio por saber quando este tormento chegará ao fim. pergunto-me, dia após dia, se a culpa é minha, de não reunir forças para seguir em frente, e falho, noite após noite, não consigo fazer valer o presente.


a parte mais engraçada é que eles não me entendem, todos eles; e eu sei que não lhes posso culpar pois nem eu mesma consigo me decifrar. mas dói, dói não ter com quem falar, dói não conseguir me expressar. é tanta dor acumulada, tanta ferida não sarada que é difícil saber por onde começar.


talvez, um dia, amanhã ou noutro qualquer, eu vá acordar e uma luz se vá acender. mas não será uma só, todo o meu corpo vai arder e eu vou brilhar como o pinheiro que em dezembro a gente vai na sala de estar erguer.


e talvez, tudo que tenho que fazer é respirar, orar e acreditar. acreditar que pouco a pouco tudo vai mudar; acreditar que ele, ele esforça-se para me amparar e que talvez o segredo já exista, só tenho que continuar a procurar.


e à eles, eles que tanto amo mas não consigo abraçar, as minhas sinceras desculpas por talvez lhes afastar. não espero que entendam, mas quero que saibam que há coisas que não se encenam e por isso é-me difícil os seus olhos encarar. não peço que esperem por mim porque não sou egoísta, sou simplesmente uma alma altruísta perdida num mundo preto e branco, onde a tristeza corrói como se se tratasse de um cancro.


e há algo que já quase me esquecia de te dizer: eu sei que tu não te vais para sempre perder. eu confio em ti e sei que mais do que belo, o teu futuro é repleto de felicidade. se calhar não tenhas nisso pensado, mas o teu poder pode não ser nada mais e nada menos que saber como uma luta renhida vencer. daí que não quero que te sintas menos humana que qualquer outro, pois não há beleza mais rara que um corpo esguio, bíblia do saber, saber da vida e da sua estrada, saber de como viver.



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