Presentear-se Com Autocuidado Não É Ser Egoísta

Na semana passada descobri que uma das minhas escritoras prediletas, a Reyna Biddy, começou um podcast com a prima, Skye Townsend, intitulado Unpack ‘n Bounce Back e decidi ouvir um dos seus episódios. O episódio que escolhi, por achar um tema que me interessasse, foi o segundo, intitulado “Self Care Ain’t Selfish”, ou traduzido, “Presentear-se Com Autocuidado Não É Ser Egoísta”.


Bem, se há algo que aprendi no ano passado foi que cuidar de mim, da minha saúde, é algo que não devo tomar como leviano. É importante e é certamente a base que me permite dedicar-me a tudo o resto. Infelizmente, todos passamos por momentos de sobrecarga, fases em que nos concentramos no que se passa ao nosso redor e esvaziamos as nossas energias. É exatamente nesses momentos em que mais precisamos dos autocuidados, em que devemos de parar, desacelerar o passo, reestabelecer o equilíbrio e depois continuar. Digam o que disserem, isso não é uma tarefa fácil e às vezes exige muito de nós próprios.

Eu, por exemplo, já estive tão focada nos meus entes queridos e na sua saúde que tive receio de presentear-me com autocuidados pelo simples facto de achar que ao fazê-lo estaria a ser egoísta e irresponsável para com aqueles que tanto amo. Bem, isso não é verdade e, graças à Deus, tive quem me mostrasse que eu já estava a fazer demais e que, na verdade, quem mais precisava da minha atenção na altura era eu mesma.

Mas o que são autocuidados?

Autocuidado é qualquer atividade que deliberadamente fazemos para preservar a nossa saúde mental, emocional, espiritual e física; proporcionando-nos prazer e restabelecendo a esfera que nos permite dar mais de nós para cumprir com as nossas responsabilidades e cuidar dos nossos.

As atividades de autocuidado são várias e dependem de pessoa para pessoa, de acordo com o que funciona para cada um. Mas é importante tomar em consideração que elas são escolhidas conscientemente e não fruto do acaso, partindo do conhecimento que nós temos de nós próprios e dos benefícios que certa atividade proporciona nas nossas vidas.

Então o que podemos fazer como autocuidado?

É engraçado, mas agora que vos escrevo esta publicação, é mesmo depois de um dia de autocuidado que procede a outro de uma montanha russa de emoções e tarefas. Sinto-me bem, sinto-me melhor comigo própria e mais do que isso, consegui interagir com serenidade, sem trazer à tona toda a confusão do dia anterior. O que passou, passou…

Para tal, fiz coisas simples, mas que gosto imenso:


1. Cuidei da minha pele: tirei tempo para fazer uma esfoliação facial; ao contrário do típico creme corporal de todos os dias, besuntei-me com óleo de amêndoas com aroma de baunilha (ah! a satisfação que é passar o dia a cheirar baunilha... só vivendo!).


2. Escutei música, mas não qualquer: escutei muita música eletrónica pop e afrohouse (música de verão, que me alegra a alma e me põe naquele espírito de praia e boa vibe!).


3. Preparei-me uma caneca de cappuccino caseiro. Eu tomo café simples diariamente, mas café com chocolate, leite e aquela espuminha que dá um txaam! diferente, só mesmo intencionalmente.


4. Apanhei sol: só Deus (e a minha mãe) sabe o efeito que o sol tem sobre o meu espírito. Passei a tarde toda na varanda a apanhar sol e a contemplar o conforto dele na minha pele.


5. Li: ler é… suspiros!, o que o livro certo nos faz, é incrível!

Enfim, pode parecer pouco para uns, muito para alguns e banal para outros, mas autocuidado não precisa de muito, só do essencial. Não é sobre os outros, é sobre nós próprios e o que nos faz bem. Tem dias que pode ser na forma de uma ida ao salão, uma conversa com alguém especial, uma sessão de pintura, uma hora de ginástica, dormir mais que o habitual... qualquer coisa que nos faça MESMO bem.

E vocês, o que fazem como autocuidado?

©2020 by Larissa Daniel