If You're Reading This It's Too Late - The Response

CONTEXTO: Esta carta é uma resposta à uma obra das CeePee [clica aqui para visitar o blogue] que estava disponível no antigo blogue delas no Tumblr.

Meu amor,


Escrevo-te porque sei que onde quer que estejas, tu me ouves.


Nunca na minha vida senti algo parecido com o que sinto neste momento.


O teu coração já não bate e o meu também não. De que adianta viver neste mundo se tu já não estás aqui?


Estraguei a melhor coisa que alguma vez Deus me deu. Fracassei perante um corpo esbelto e mergulhei sem pensar. Deixei que a saudade virasse carência e o meu sistema imunitário tremeu por míseros instantes, mas suficientes para provocar uma dor incessante.


Tu foste a única que me mostrou o que é o amor incondicional, a única que me tratou como um príncipe, que limpou as minhas lágrimas, ergueu o meu tronco e alimentou a minha alma. Contigo descobri o meu verdadeiro eu, descobri um novo mundo preenchido de amor, alegria e esperança. Deixei de ser aquele miúdo revoltado e perdido, órfão de mãe e me tornei num jovem trabalhador aspirante a esposo e pai.


Mulher como tu não existe igual. Como cobrirei o vazio que deixaste no meu coração? Quem me vai acariciar pela noite dentro depois de um dia de muito trabalho? Quem me vai lembrar que eu posso mais, eu posso tudo se eu quiser? Quem me vai desafiar a sair da minha zona de conforto e ir aventurar pelo mundo fora? Quem me vai ouvir, horas e horas, sem se cansar? Quem me vai apertar num abraço e fazer o meu mundo parar com beijos apaixonados?

Eu traí-te e traí-me a mim próprio. Fui contra os meus princípios, destrui o meu teto. Eu sei, eu sei que errei. Eu sei que não há desculpa capaz de justificar os meus atos. Eu sei que fui fraco. Vulgarizei-me. Vulgarizei-te. Vulgarizei a nossa relação. Já não posso mais suportar esta culpa, quando nem sequer estás aqui para ajudar a redimir-me.

Eu errei e te assassinei. O tiro que dei, trespassou o teu corpo e chegou ao meu. Tu és o meu Romeu e, por isso, beberei da tua poção.

Com amor,


Carlos.

©2020 by Larissa Daniel