Encontrei o meu par perfeito

Encontrei o meu par perfeito…

Encontrei o meu par perfeito numa manhã de quarta-feira.

Encontrei-o sentado, todo desleixado, no meio de tudo e de nada, alheio ao que se passava ao seu redor. Não estava num parque nem num café, até porque seria muito clichê – são tantas as histórias que já li de amores que surgiram nesses lugares, ou então numa biblioteca, numa casa de aluguer de vídeos, enfim, naqueles sítios supostamente típicos em que quando por lá passamos, algo de especial esperamos e nunca acontece nada! – o meu par perfeito... bem, ele estava não mais nem menos do que nas bancadas do campo da escola.

Ele não era lindo que nem os atores que sigo nas redes sociais, mas de feio não tinha nada – minto, se calhar a cabeça dele era muito redonda para o meu gosto, mas quem quer saber? Eu pelo menos não me importei. Ele não era tão alto quanto gostaria, nem tinha os músculos tão definidos como sempre quis que o meu príncipe encantado tivesse, mas quem quer saber? Eu pelo menos não me importei.


Encontrei o meu par perfeito…

Encontrei o meu par perfeito numa noite de sábado.

Encontrei-o muito animado, no meio de tudo e de todos, muito focado ao que se passava ao seu redor. Vi-o numa festa daquelas em que se paga entrada e que são alusivas a nada. Lá estava ele no meio da confusão celebrando, talvez, a vida. O que bebia era, muito provavelmente, uísque

com coca – quando deitei os meus olhos nele pela primeira vez. Quando o vi pela segunda vez já ia a meio de uma caneca de cerveja (talvez não era dele a caneca, afinal de contas sempre esperei que o meu par perfeito só ficasse pelos conhaques).

Ele não era muito atirado como outros rapazes que já vi, mas tinha aquele olhar de caçador. O meu par perfeito estava bem-comportado – minto, se calhar vi-o tentar engatar um par de seios maior que o meu, mas quem quer saber? Bem, talvez eu. Se calhar vi-o dançar de forma extremamente íntima com uma rapariga que nunca vira em lado nenhum, mas quem quer saber? Bem, talvez eu!


Encontrei o meu par perfeito…

Outra vez e outra vez. Afinal tínhamos amigos em comum, quem diria? Outra vez e outra vez. Acabamos por nos tornar melhores amigos, quem diria? Outra vez e outra vez. O meu par perfeito tornou-se no meu companheiro imperfeito. Outra vez e outra vez...

Adeus par perfeito.

©2020 by Larissa Daniel