Crespa Para Sempre

Crespos são os fios que nascem na minha cabeça, pretos são os cabelos do fruto de uma promessa. Juntos com amor e respeito, na alegria e na tristeza, dois apaixonados selaram o compromisso que deu parto à esta preta.


Crespos são todos os pelos que arranco à queima e à força, movida pela estética e regras de como ser moça. São eles as molas que um dia desprezei, mas que nem com mola delas me livrei.


Crespos são os fios mais odiados pela televisão, a minha melhor amiga, a possuidora da minha atenção de menina; com quem aprendi que a minha coroa é feia e seca, palha de aço que nem sequer tinha a minha boneca.


Engraçado foi o quão olvida estava de que desbravar os fios infestados de químicos que Deus não me deu fosse gerar uma toda revolução no meu eu e que então perceberia que nem tudo que o físico prega é verdade incontestável para mim, fã de ciência, filha de ateu, dona de cabelos altivos que oram ao céu.


Mas crespos cabelos foram lavrados e abençoados com água benta e manteiga milagrosa, cuja emulsão acaricia o meu couro, alimenta a minha coroa e fá-la cheirar à rosas. Foi então que como que uma epifania me apercebi que, tal como nasci, seria crespa para sempre.



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